sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Nova Zelândia oferece diversas opções de turismo de aventura para pessoas com deficiência


Considerado um dos principais destinos para turismo de aventura, a Nova Zelândia conta com uma vasta lista de atrativos para estimular a adrenalina em seus visitantes, como saltar de aviões, explorar florestas, fazer jet boat, pescar, esquiar e visitar geleiras. Muitas das empresas que operam essas atrações investem em equipamentos específicos para torná-las acessíveis a pessoas com deficiência, atendendo a certificações internacionais de segurança. 

Conheça algumas opções:

- Pesca em Coromandel:

Na península de Coromandel, os barcos Joint Venture e Rubin Jack, da Coromandel Fishing Charters, tem estrutura especial para pessoas em cadeira de rodas. Tom Meyers, um dos donos da empresa que também é cadeirante, diz “não há nenhuma razão que impeça a vinda de alguém que usa cadeira de rodas, temos funcionários prontos para ajudar”. E acrescenta, “um dia na água pode ser uma experiência tranquilizante, os clientes sempre voltam”.

A empresa trabalha com o projeto beneficente Wish4Fish, criado por Bryce Dinneen para ajudar pessoas com deficiência a entrarem na água. Bryce sofreu lesão da medula espinhal e também é deficiente.

A principal cidade da Península de Coromandel é Whitianga, que está a duas horas e meia de carro de Auckland. Linhas de ônibus fazem o percurso regularmente a partir do centro de Auckland, e há um serviço de shuttle que conecta o aeroporto a muitos pontos de Coromandel.


- Paraquedismo:

Em Motueka, região costeira de Nelson, a empresa Skydive Abel Tasman oferece o serviço em que cadeirantes, pessoas com paralisia cerebral ou deficiência visual podem praticar o salto tandem, versão do paraquedismo na qual saltam duas pessoas: o passageiro e um instrutor.

Motueka fica próximo a Nelson, para onde há voos saindo de Auckland, Christchurch e Wellington.

Além de Motueka, é possível fazer o salto tandem em Ashburton, próximo a Christchurch com a empresa Skydiving Kiwis, onde mais de 50 pessoas em cadeiras de rodas já usaram o suporte desenvolvido especialmente para a prática. Não há limite de idade: desde que caiba no suporte corporal, é possível participar.

Ashburton fica a apenas uma hora ao sul de Christchurch, cque tem voos diretos para Auckland e Wellington.


- Ski e Snowboard:

A diversidade natural da Nova Zelândia incluí a prática de esportes na neve, o Ruapehu Adaptive Programme fica nas montanhas do Monte Ruapehu, um vulcão ativo localizado na Ilha Norte, e foi criado para pessoas com deficiência que querem esquiar ou fazer snowboarding.

Para chegar em Ohakune, onde fica o programa, são pouco mais de quatro horas de viagem de Auckland, ou três horas e meia saindo de Wellington. O aeroporto mais próximo fica em Taupo, de lá, a viagem até Ohakune leva uma hora e meia.

Na Ilha Sul, o programa Cardrona Adaptive Snow Sports permite que pessoas com deficiências físicas, sensoriais ou cognitivas aproveitem a neve. Os participantes trocam suas cadeiras de rodas por cadeiras de esqui, ou podem usar suportes especialmente desenvolvidos para a função.

O Cardrona Adaptive Snow Sports fica em Wanaka, a pouco mais de uma hora de carro de Queenstown, que recebe voos regulares da Austrália e dos principais cidades neozelandesas
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- Voo de helicóptero nas geleiras:

Para combinar altitude com neve, os voos de helicóptero nas geleiras de Franz Josef e Fox, na região de Westland, e à geleira de Tasman, no Parque Nacional Aoraki/Mount Cook são ótimas opções. A empresa Helicopter Line oferece o serviço para pessoas em cadeira de rodas visitarem a região cercada de montanhas cobertas de neve e floresta nativa, os viajantes terão a experiência de pousar em um rio de gelo que se move lentamente, além de visitar uma geleira em uma cadeira de esqui modificada para esta função.

Os voos partem de Franz Josef e de Glentanner, perto do Monte Cook. Franz Josef fica a duas horas de carro do aeroporto de Hokitika.


- Arvorismo:

Em Hokitika, a pouco mais de três horas de carro de Christchurch, fica a West Coast Treetops Walkway, uma trilha com cerca de 450 metros de extensão sob uma estrutura suspensa a 20 metros de altura do solo. O passeio permite aos visitantes conhecer a floresta de uma nova perspectiva: na altura dos olhos dos pássaros, no topo das árvores. O local promove a integração com a natureza através de uma série de rampas e declives leves, sendo uma atividade de fácil acesso para cadeira de rodas.

O trajeto entre Christchurch e Hokitika dura um pouco mais de três horas. Já a partir de Greymouth, o percurso é de apenas 30 minutos. Hokitika também tem conexões aéreas regulares com Christchurch e outros centros do país.


- Bungy jumping:

O bungy jumping recreativo nasceu na Nova Zelândia, e como percursor da atividade, se tornou referência mundial para a prática do esporte. Localizado no topo do teleférico de Queenstown, o Ledge Bungy é operado pela empresa A.J. Hackett, pioneira no setor, e oferece às pessoas com deficiência a chance de saltar em segurança e sem sair da cadeira de rodas. Aliás, chegar até lá já é uma aventura, já que a subida é feita por teleférico.

A Shotover Canyon Swing, perto de Queenstown, também acomoda cadeirantes em uma atividade parecida com um bungy jumping, na qual o participante salta e fica balançando de um lado para o outro. Já a Sky Tower de Auckland, a construção mais alta da Nova Zelândia, oferece o SkyJump (bungy jumping) e SkyWalk (volta em uma estreita passarela circular a 192 metros de altura) para pessoas em cadeiras de rodas.

O aeroporto de Queenstown é bem servido de voos domésticos e internacionais. De carro, a viagem é de três horas e meia a partir de Dunedin e de duas horas e meia a partir de Te Anau.


- Jet boat:

Inventado nos anos 1950 pelo neozelandês Sir William Hamilton como um modo de cruzar rasos cursos d’água, o jet boat se tornou desde então um maneira divertida e excitante de seguir velozmente pelas águas da Nova Zelândia. A Shotover Jet, em Queenstown, leva passageiros em cadeiras de rodas para uma viagem emocionante nas curvas e cânions do rio Shotover, mas e preciso reservar com antecedência.

Queenstown é a cidade turística mais popular da Nova Zelândia, e há voos diretos saindo da Austrália e da maior parte dos aeroportos domésticos.



Fonte: Renato Oliveira

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

São Paulo recebe título de Capital Latino-americana da Cultura Gastronômica


O dia hoje foi de festa para o Brasil no estande do Ministério do Turismo na Feira Internacional de Turismo (FITUR), em Madri, Espanha. O espaço foi palco da entrega do título ‘Capital Latino-americana da Cultura Gastronômica’ à São Paulo, um reconhecimento à qualidade e diversidade da gastronomia paulistana. O título foi entregue pelo secretário-executivo do Ministério do Turismo, Alberto Alves, ao embaixador do Brasil em Madri, Antônio José Ferreira Simões.

“É uma honra para o Ministério do Turismo participar desse evento da concessão de um título tão importante para uma cidade brasileira. Esse fato, sem dúvida, contribui para que a gastronomia do Brasil, como um todo, seja um dos principais ativos do turismo nacional”, comemorou Alberto Alves.

A gastronomia é um dos itens mais bem avaliados pelos turistas internacionais que visitam o país. De acordo com pesquisa realizada pela Pasta, mais de 95% dos estrangeiros que estiveram no Brasil em 2016 aprovaram a gastronomia do país. A avaliação positiva é ainda maior se fizemos um recorte de avaliação por cidade – a gastronomia paulistana foi aprovada por 97,5% dos turistas internacionais no mesmo ano.

Participaram, ainda, da entrega do título o ministro do Turismo da Argentina, Gustavo Santos e o presidente da Academia Iberoamericana de Gastronomia, Rafael Anson.

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Brasil dos grandes eventos:

Outra boa notícia para o turismo brasileiro foi comemorada nesta quinta-feira (18) também na FITUR. O Brasil será palco da 18ª edição da Feira Internacional de Turismo Termal, Saúde e Bem-Estar, a Termatalia 2018, maior congresso do mundo de turismo termal, saúde e bem-estar. Será a primeira vez que o evento será realizado em terras brasileiras. A Termatalia deve reunir cerca de três mil profissionais do turismo de 40 países.

Dados da Organização Mundial do Turismo apontam que o turismo termal deve crescer 9% nos próximos cinco anos, o dobro do esperado para o turismo convencional.


Fonte: MTur

Costa dos Corais oferece opções de ecoturismo para as férias de verão


As férias de verão podem se transformar num grande roteiro de aventuras com os pacotes de viagens de turismo ecológico. O ecoturismo tem sido a preferência daqueles que procuram, ao viajar, conhecer e explorar patrimônios naturais, praticar esportes radicais sob a perspectiva da educação ambiental e da preservação da natureza. Nas viagens de ecoturismo, o turista tem a possibilidade de praticar esportes radicais, como mergulhos, rafting, rapel, safaris, mergulho e até escaladas.

E para que você possa desfrutar desse período de descanso com tranquilidade e diversão, a Fundação Toyota do Brasil, que apoia ações que são referência em ordenamento de atividades econômicas e turísticas no Nordeste, oferece algumas dicas de viagem para as praias da região da Costa dos Corais.

- A rota ecológica do Nordeste:

Um dos lugares mais procurados nas férias de verão tem 413.000 hectares de natureza exuberante em uma Área de Proteção Ambiental (APA). A APA Costa dos Corais abrange dez munícipios de Alagoas e três em Pernambuco e é um verdadeiro berçário da vida marinha com mais de 185 espécies de peixes registradas e a presença de animais em risco de extinção como a tartaruga-marinha e o peixe-boi. 

O local proporciona atividades de mergulho, passeios de barcos, observação de espécies da flora e da fauna, permitindo programas culturais como visitas às construções originais do século 18.


O projeto visa à conservação dos recifes de corais, proteção das áreas de manguezais, a preservação dos ecossistemas relacionados a espécies ameaçadas e busca a sustentabilidade das comunidades, que perceberam o potencial turístico da região considerada uma das mais belas do Brasil. Dessa forma, atividades econômicas regradas como o passeio de observação do peixe-boi marinho contribuem para a preservação do mamífero aquático mais ameaçado de extinção no Brasil. 


A atividade de observação da espécie é realizada pela Associação Peixe Boi, localizada em Porto de Pedras, Alagoas. A atividade acontece no rio Tatuamunha diariamente e tem duração de aproximadamente uma hora. Mas se programe com antecedencia, principalmente, na temporada, pois o número de visitantes se limita a 70 diariamente.

Para quem deseja conhecer as piscinas naturais de Alagoas, conhecidas também como galés, um dos locais sugeridos é Maragogi. Em horários de maré baixa é possível mergulhar de snorkel ou cilindro, opção que inclui acompanhamento de guias a cinco metros de profundidade. 

No mesmo circuito, não deixe de fazer uma visita a Japaratinga. A cidade tem um ritmo ainda mais relaxado que Maragogi e ainda mantém suas construções originais como a Igreja Matriz, construída pelos holandeses.

- Além da APA:

Muito próximo da APA, em Pernambuco, o mar cristalino da Praia dos Carneiros recebe diversos turistas para observar peixes e outros animais marinhos que se encontram nas piscinas de corais. O acesso difícil é motivo para o local ser relativamente pouco frequentado, tendo sua paisagem quase inalterada desde o século passado. Os tours de catamarã partem da Praia de Tamandaré (que é parte da APA) e os horários de saída podem variar de acordo com a época do ano.


Porto de Galinhas, também no estado pernambucano, é passagem obrigatória para os viajantes que estão na região. Durante o dia, o roteiro é preenchido por mergulhos, caminhadas pela praia e atividades como o frescobol. À noite, as vilinhas aconchegantes do centro comercial se enchem de turistas a procura de souvenirs.

- Como chegar:

- Aéreo

As principais portas de entrada para a Costa dos Corais são as capitais Maceió/AL e Recife/PE pelos aeroportos: Aeroporto Internacional de Maceió (Zumbi dos Palmares) e Aeroporto Internacional do Recife (Gilberto Freire), que se ligam por meio de serviços de tranfers oferecidos nos próprios locais.

- Ônibus

As saídas do ônibus em Maceió e Recife acontecem em horários simultâneos e o tempo de duração da viagem entre as duas capitais é de 4h40. Os ônibus partem dos terminais rodoviários às 4h15 e 11h.

- Carro

Partindo de Maceió pegue a rodovia AL-101 Norte. Partindo de Recife, vá para BR-101 Sul, depois pegue a PE-60 até divisa PE/AL, onde se acessa a AL-101 Norte.

- Dicas para aproveitar melhor sua viagem:

- No Nordeste, as paisagens das praias podem se diferenciar de acordo com a variação das marés. Se o passeio acontecer em um dia de maré mínima (entre 0,1m e 0,2m de altura), é possível observar os recifes de corais expostos com a água transparente na altura dos joelhos. 


- Em época de maré alta (entre 0,4m e 0,7m), a correnteza é mais intensa e fica mais difícil se movimentar entre os corais. Para ter uma previsão da maré no dia de sua viagem.

- É sempre recomendável que o visitante busque informações com profissionais e unidades de conservação a prática de atividades ecológicas.

- Ao mergulhar nas piscinas, passe protetor solar com antecedência e utilize apenas protetor à prova d’água, pois óleos e cremes prejudicam os corais;

- Não alimente os peixes, saguis e outros animais selvagens, pois pode colocar em risco a saúde e equilíbrio da fauna e flora local;

- Não pise nem toque nos corais. Eles são animais muito frágeis e morrem facilmente. Alguns organismos possuem substâncias irritantes e tóxicas que podem te machucar se você pisar ou tocar neles;

- Leve o lixo produzido a um local apropriado para coleta! Nunca jogue lixo no mar pois isso é prejudicial à fauna marinha;

- Não colete nada nem compre artesanato feito com animais marinhos. Do passeio, leve apenas memórias e fotografias;

- Ao avistar um peixe-boi, não se aproxime, não toque, nem ofereça alimentos e bebidas. Ele é um animal selvagem e está ameaçado de extinção no Brasil.


Fonte: Thais Rebequi

Mosquitos vetores de doenças ganham com redução de áreas verdes em São Paulo

A urbanização e a consequente redução de áreas verdes nas cidades podem ser consideradas uma verdadeira festa para mosquitos vetores de doenças, como o Aedes aegypti (dengue) e o Culex quinquefasciatus (filariose linfática).

Mais adaptados às áreas urbanas, eles são beneficiados pelo declínio da população de outras espécies de mosquitos. No município de São Paulo, essa relação não é diferente. Foi o que comprovou um estudo feito por pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo no âmbito do programa BIOTA-FAPESP.

Com a colaboração do Centro de Controle de Zoonoses e do Departamento de Parques e Áreas Verdes do município, foram coletados 37.972 espécimes da família Culicidae, que compreende espécies conhecidas popularmente como pernilongos. As análises posteriores realizadas em laboratório mostraram que eles pertenciam a 73 espécies e 14 gêneros diversos.

Embora a coleta, feita em nove parques municipais monitorados pelo estudo, indique uma rica diversidade de espécies na cidade, o estudo mostrou que existe um problema quanto à distribuição e composição dessas espécies nas áreas verdes do município.

Entre os resultados divulgados em artigo na Scientific Reports está a constatação de uma tendência à redução de espécies de mosquitos. Com isso, vetores de patógenos que causam doenças em humanos acabam sendo beneficiados adaptativamente.

Dos insetos coletados no estudo, 68% pertenciam a cinco espécies: Culex nigripalpus, Aedes albopictus, Cx. quinquefasciatus, Ae. fluviatilis e Ae. scapularis. Outras espécies de vetores – Cx. declarator, Ae. aegypti, Cx. chidesteri, Limatus durhami e Cx. lygrus – também foram encontradas com maior frequência nos parques urbanos.

“Existe uma relação entre o tamanho das áreas verdes e a diversidade das espécies. As áreas verdes menores tendem a possuir um subconjunto das espécies encontradas em áreas verdes maiores, havendo uma tendência para que a fauna de mosquitos nas áreas menores seja formada principalmente por vetores”, disse um dos autores do estudo, Antônio Ralph Medeiros-Sousa, doutorando na Faculdade de Saúde Pública da USP com Bolsa da FAPESP.

De acordo com Medeiros-Sousa, em cenários de fragmentação e redução das áreas verdes, mosquitos vetores são beneficiados com a extinção de espécies mais silvestres.

“Eles são mais adaptados ao meio urbano e, com a redução progressiva das áreas verdes, as espécies mais silvestres vão desaparecendo e as mais urbanas, justamente as mais competentes para a veiculação de patógenos, de certa forma dominam o território”, disse.

O estudo também mostrou que há uma grande variação na riqueza de espécies entre os parques monitorados. Foram coletadas 16 espécies no parque do Ibirapuera, com 1,58 km2 de área, enquanto no Parque Anhanguera (9,5 km2) foram encontradas 47 espécies. Como esperado, os fragmentos menores de área verde são mais suscetíveis a distúrbios ambientais, que afetam principalmente a permanência de espécies de baixa abundância.

“É bastante expressivo coletar quase 50 espécies de mosquitos dentro de uma área verde inserida em uma cidade. Não esperávamos esse número. Foi uma surpresa, mesmo sabendo que algumas regiões, como o próprio parque Anhanguera, teriam uma diversidade mais elevada, justamente por causa de sua área”, disse Medeiros-Sousa.

Mesmo com a comprovação da maior concentração de mosquitos vetores – sete dos oito mais comuns são vetores de patógenos em humanos –, os pesquisadores destacam não ser possível afirmar que há um maior risco de transmissão de patógenos, mas apenas uma maior possibilidade de contatos entre mosquitos vetores e humanos.

“Não quer dizer que vai ter doença. Existe outra parte determinante para a doença que é a presença do patógeno, como o vírus da dengue, Zika ou febre amarela. O estudo mostra que há um desequilíbrio, com menor diversidade de espécies em áreas menores e menos preservadas”, disse outro autor do estudo, Mauro Marrelli, professor associado da Faculdade de Saúde Pública da USP e orientador de Medeiros-Sousa.

Segundo os autores, os dados reunidos pelo estudo destacam a necessidade de outros trabalhos que busquem entender como a perda de espécies pode afetar o risco de doenças infecciosas em áreas urbanas.

- Ilhas verdes:

A relação entre área e diversidade é explicada pela Teoria do Equilíbrio da Biogeografia de Ilhas, formulada nos anos 1960 pelos ecólogos norte-americanos Robert MacArthur e Edward Osborne Wilson. De acordo com a teoria, a riqueza de espécies em ilhas representaria um equilíbrio dinâmico entre taxas de imigração e extinção, que são afetadas pelo tamanho e grau de isolamento da ilha. Essa mesma teoria pode ser aplicada a parques e áreas verdes urbanas, pois formam territórios isolados (ilhas) pela urbanização.

No caso dos mosquitos, que têm curto período de vida e se deslocam por curtas distâncias – ignorando eventuais casos de dispersão mecânica, quando o inseto é deslocado ao entrar em um carro, por exemplo –, a extinção teria um impacto ainda maior no equilíbrio das espécies.

“Mostramos que o modelo da Teoria da Biogeografia de Ilhas também se aplica no município de São Paulo. Notamos também que quanto menores forem as áreas verdes, a tendência é haver uma maior similaridade de espécies, já que as espécies mais bem adaptadas ao ambiente urbano tendem a ser selecionadas. Em nosso estudo, vimos que quase 70% dos mosquitos são de apenas cinco espécies. Isso sim é um problema”, disse Marrelli.

Os mosquitos formam um grupo muito diverso, com mais de 3,5 mil espécies conhecidas. Portanto, estudos sobre a diversidade de mosquitos em espaços verdes urbanos são úteis tanto para elucidar processos que conduzem os padrões de diversidade nos ecossistemas urbanos como para entender o papel da biodiversidade na redução ou aumento do risco de transmissão de patógenos.

No trabalho, a equipe de pesquisadores realizou coletas mensais, entre 2011 e 2013, em nove parques municipais de São Paulo: Alfredo Volpi, Anhanguera, Burle Marx, Chico Mendes, Ibirapuera, Piqueri, Previdência, Santo Dias, Shangrilá.

Fonte: Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP